Lapsus
quarta-feira, abril 09, 2008
página
desclareou-me a face
e o verso caiu-lhe em nuvens
fez-se serena a frase
e bem dita a dor
alteridade
não sou o que me imagina
o outro que há em mim
há muito se perdeu
e transformou-se em paisagem
felicidade
nas entrelinhas dos gestos
que escorregam da gente
pulsão
espreito, atrás do que de mim nem sei
verdade
quando palavras esvaem-se
nos desvãos das coisas.
criança
chuva de sentidos
amizade
eco de quase-momento
inten
s
ão do verso
romântico
quantas vezes direi velhas cores
para não amarelar meu canto?
sexta-feira, junho 01, 2007
desvérbio
mais vale um pássaro voando
do que qualquer coisa,
em qualquer circunstância.
quinta-feira, maio 24, 2007
requiem
o mundo acabou
antes que me conhecesse
que conta de mim desse
que em tudo imergisse
que me espalhasse e arvorecesse
e me entrelaçasse
de mim se separasse e assim me perdesse
e a mim nunca mais voltasse
para que o mundo que agora acaba não morresse.
quarta-feira, maio 23, 2007
infância
Vive intensa
desabrocha lenta
em tudo se afeta
se detalha
se exprime
e se inventa
toda língua
em todo silêncio.
meio e fim
se ambiente é meio,
porque acabamos quando ele acaba?
se é objeto,
por que não conseguimos dominá-lo dominando?
culpa e causa
inúteis as flores e colibris,
que não causam Estados,
nem mercados,
nem entesouram sacrifícios.
infinitude
dever ser
o que não é
e o que não pôde ter sido.
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